CENTRO DE PASTORAL PIO XII
REUNIÃO COM AS COMISSÕES PASTORAIS E ORGANISMOS DA IGREJA DE CAMPINAS SOBRE A PROPOSTA DE SE MUDAR O CENTRO DE PASTORAL PIO XII – Campinas, 03 de junho de 2009.
Esta reunião foi marcada na linha de continuidade da reunião de 26 de fevereiro de 2009. Naquela reunião foi pedido um encontro com D.Bruno. Este pedido foi precedido por várias tentativas de se conversar com o Pe. João Luís, Coordenador da Pastoral. Inclusive, ele havia prometido convocar uma reunião para o mês de janeiro de 2009, mas tal promessa nunca se concretizou. Na reunião do dia 26 de fevereiro, foram escolhidas duas pessoas que fizeram o contato com o Pe. João Luís. A resposta de D.Bruno foi negativa. João Luís afirmou que D.Bruno não queria conversar com o grupo das pastorais e organismos que pediram a reunião e afirmou que deveríamos conversar com o Pe. João Luís. Várias foram as tentativas para marcar este encontro a partir desta negativa. Mas não obtivemos êxito diante das dificuldades apresentadas pelo Pe. João Luís. Diante deste impasse e como o tempo continuou correndo, houve a convocação desta reunião do dia 03 de junho de 2009.
Inicialmente, houve um relato sobre o encontro passado. Mostrou-se também a utilização do Centro de Pastoral Pio XII por 36 organismos, comissões e outros órgãos associados à Pastoral da Igreja de Campinas (Arcebispo, Coordenação Colegiada, Coordenadoria de Pastoral, Comissões Pastorais e Equipes de Pastoral, Tribunal Eclesiástico, Cúria Metropolitana, Caritas). Explicitou-se também o processo do aluguel do Prédio da Cúria Metropolitana para a Microcamp, tornando pequeno o espaço do Centro de Pastoral para todas as comissões e organismos da Igreja de Campinas.
Nestes últimos anos, houve a proposta de venda do Centro Lumen Christi por parte das irmãs. Já havia a perspectiva de tornar o Centro Lumen Christi um espaço de espiritualidade e de formação. Mas esta proposta não foi em frente. Finalmente, no ano de 2008, efetivou-se a compra por parte da Arquidiocese da metade do terreno e ficando com o prédio já construído.
Neste espaço de tempo, falava-se que o Centro de Pastoral ficaria para as pastorais e o Lumen Christi seria para a Cúria e para o Tribunal Eclesiástico. Mas tudo isto sem nenhuma discussão nas instâncias de decisão ou de conselho (Coordenação Colegiada de Pastoral, Coordenadoria de Pastoral, Conselho de Presbíteros, Comissões, Áreas Pastorais, Foranias).
Mostrou-se também a importância do Centro de Pastoral do ponto de vista arquitetônico, eclesial, político, cultural, devido a seu histórico e devido também a sua localização central. Torna-se um ponto estratégico e, por isso mesmo, tem também um valor econômico. Basta ver o que se passa com a Microcamp. Mas em se falando do econômico, mostrou-se também que se a questão é puramente econômica, seria de maior valor alugar o Centro Lumen Christi, devido a sua localização próxima do Shopping Center Iguatemi. Mas como foi dito anteriormente, alertou-se para o fato de que o Centro Lumen Christi poderia ser utilizado como um espaço de espiritualidade e de formação, pois a Arquidiocese neste momento não passa por nenhuma dificuldade financeira.
Em seguida, discorreu-se sobre as dificuldades da mudança das pastorais para este novo local: dificuldade de transporte, à noite a região é escura, não há movimento nas ruas. É um lugar isolado sendo habitado por pessoas de classe alta. A ida para este local acarretaria a desmontagem da pastoral e uma fragmentação das comissões. Além disso, já houve a experiência do Palácio do Bispo que estava localizado nesta região e se tornou apenas mais um espaço para aluguel. A Igreja de Campinas fez sua conversão na direção dos pobres e, voltando para este local, estaria sinalizando uma volta atrás nesta conversão.
Após esta introdução, a palavra ficou aberta e várias pessoas fizeram seus comentários.
1. Em relação ao CNLB, afirmou-se que todo o conselho é unânime em relação à permanência no Centro de Pastoral Pio XII.
2. A Legião de Maria freqüenta o Centro de Pastoral há quase 50 anos e há sempre reunião no 2º. sábado de cada vez. Muitas pessoas vêm de outras cidades da Arquidiocese e não iriam para o novo local, acarretando perda para a vivência das legionárias de Maria.
3. O TLC trabalha cada vez mais articulado com a Pastoral da Juventude e que está com uma tendência de crescimento. Às 4as-feiras, o TLC privilegia os adolescentes com uma freqüência média de 40 pessoas por semana. Aos sábados, há a presença de jovens com uma freqüência média de 100 pessoas a cada sábado. A maioria vem de ônibus e certamente os jovens teriam dificuldades de se deslocarem para o novo local. Explicitou-se que o TLC foi fundado pelo Pe. Haroldo Rahm e que não possui local próprio e nem está diretamente ligado a uma paróquia. Seu trabalho é com a proclamação do Evangelho e buscar oferecer aos jovens uma perspectiva de vivência cristã. Afirmou-se também que mais de 2/3 dos jovens se utilizam de ônibus para chegarem ao Pio XII. Terminou-se dizendo que “o Centro de Pastoral é a nossa Jerusalém e que já passaram pelo Pio XII mais de 4.000 jovens. Alugar este local significará perder um ponto de referência histórico para os jovens”!
4. Quem já trabalhou durante muitos anos na FEAC, que tem a sede próximo do Lumen Christi, afirmou que o lugar não é apropriado como um espaço de articulação da pastoral, pois o lugar, à noite é escuro, e os pontos de ônibus estão localizados em lugares distantes. Argumentou que o Centro de Pastoral dá organicidade às pastorais e nos ajuda a buscar um caminho comum. Relembrou-se também que “a nossa história está aqui no Centro de Pastoral Pio XII. Aqui também está a história da Igreja de Campinas nestes últimos 50 anos! Queremos que o Centro de Pastoral continue servindo a Igreja de Campinas e não seja apenas mais um prédio alugado. Aluguel por aluguel, o Centro Lumen Christi certamente vale mais”!
5. Já se alertou que houve uma perda para as pastorais com o aluguel da Cúria Metropolitana no passado, devido a problemas econômicos. Os dois prédios formam um conjunto arquitetônico e deveriam ser retomados, como no passado, para servirem à pastoral da Igreja de Campinas. Alertou-se também que o aluguel do prédio para a Microcamp, que tem lesado seus alunos nos cursos anunciados e não realizados, acaba depondo contra a própria Igreja. Além disso, notamos que não se faz manutenção no prédio do Centro de Pastoral Pio XII, deixando-o deteriorar para se chegar à conclusão que nada se pode fazer! Foi também reforçado mais uma vez que o local, onde está localizado o Lumen Christi não é bem servido por ônibus. Quem já trabalhou naquela região sabe que não há facilidade para se tomar ônibus que se dirigem para aquela região, especialmente nos fins de semana. Alertou-se também que o bispo é sempre um servidor do povo e, portanto, tem que ouvir este mesmo povo, para ser de fato servidor de Jesus Cristo. Com certeza, se houver esta mudança, também o bispo estará se distanciando do povo que normalmente usa ônibus para seu transporte.
6. A Igreja sempre prega a participação e comunhão. Por isso ela deve ser coerente com sua pregação. Se ela fez e faz opção pelos pobres, ela não pode tirar as pastorais do Centro de Pastoral Pio XIII, pois este centro é gerador de vida.
7. Muitos não sabem da proposta de mudança do Centro de Pastoral Pio XII. Por isso se afirmou que este processo está sendo autoritário e que não ajuda a ação da Igreja na sociedade. Houve a seguinte pergunta: “Por que sair do centro? Não seria mais lógico, então, ir para o Campo Grande, para o Ouro Verde? Não é lá que estão os pobres e a maioria da população?”. Além disso, alertou-se que depois de Aparecida (Conferência de Aparecida), a Igreja é chamada a fazer uma conversão eclesial. Afirmou-se que é preciso discutir e não impor. Finalmente perguntou-se: “Em que instância de poder este assunto foi discutido? Na Coordenação Colegiada de Pastoral? Na Coordenadoria de Pastoral? No Conselho de Presbíteros? Nas Foranias? Na preparação ao 7º. Plano de Pastoral Orgânica?
8. Pontuou-se também que há uma articulação entre o Centro de Pastoral Pio XII e o Colégio Pio XII que tem favorecido muito os cursos dados aos leigos e leigas. Além disso, o estacionamento do Centro de Pastoral Pio XII tem capacidade para 84 carros (houve a verificação dos carros ali estacionados, especialmente nas 4ª. feiras, dia que há o maior fluxo de carros). Na linha da Pastoral Urbana, retomada pela Conferência de Aparecida fica patente a importância de um Centro de Pastoral que possa ajudar na organicidade da pastoral. Diante disto, houve a proposta de se retomar todo o conjunto, ou seja, o antigo espaço da Cúria Metropolitana com o Centro de Pastoral Pio XII como antigamente, de tal modo que haveria espaço para todos os organismos e comissões. Também relembrou-se que já houve uma proposta de se construir um auditório no espaço do estacionamento e que poderia servir para muitos eventos (sem perder o espaço do estacionamento, pois com as construções atuais, poder-se-ia resolver muito bem esta questão, deixando o espaço para o estacionamento, como se faz em todos os prédios). Finalmente alertou-se que o que estamos fazendo é tentar impedir que a Igreja de Campinas e também o próprio bispo cometam um erro histórico irreparável, rompendo com a proposta lançada há mais de 50 anos e que indica a presença da Igreja na cidade e nos centros das decisões.
9. Alertou-se para o fato de que a Igreja de Campinas não pode mais decidir as coisas ouvindo apenas uma pessoa. Alertou-se também que D.Bruno está em Campinas há apenas 05 anos e que o Pio XII tem uma história de mais de 50 anos. Ele corre o risco de tomar uma decisão equivocada. Afirmou-se também que o Conselho dos Consultores, a Colegiada de Pastoral, o Conselho de Presbíteros e a Coordenadoria não discutiram esta proposta de mudança.
10. Reafirmou-se que desde outubro de 2008 se tentou uma reunião com o Pe. João Luis, sempre protelada para a frente. Neste sentido, já se transcorreram nove meses! Afirmou-se também a necessidade de se fazer uma revisão dos contratos feitos pela Igreja com as diferentes empresas ou universidades que alugam os prédios e que esta tarefa não pode ficar na mão de uma única pessoa. Certamente, temos pessoas capacidades para colaborar nesta empreitada.
11. Mostrou-se que a mudança está sendo feita de forma sorrateira e sem discussão. As reuniões da Colegiada de Pastoral estão sendo marcadas em lugares diferentes para descaracterizar o Centro de Pastoral que sempre acolheu estas reuniões.
Foram encaminhadas as seguintes propostas:
1. Pedir novamente uma reunião com D.Bruno, com o Pe. Busch, com Mons. Fernando (vigário geral) e Pe. João Luis Fávero.
2. Levar a discussão para as Áreas Pastorais e Foranias.
3. Levar a questão para o Encontro do Bloco sobre Liturgia e Espiritualidade Encarnada para que possa entrar na discussão da preparação do VII Plano de Pastoral Orgânica da Igreja de Campinas.
4. Tornar conhecido o histórico do Centro de Pastoral Pio XII, utilizando-se da Linha Direta para o envio aos agentes de pastorais, padres, religiosos, religiosas, para que tomem conhecimento da importância da permanência do Centro de Pastoral Pio XII no local em que foi construído para esta finalidade e missão.
5. Ficou marcada a próxima reunião para o dia 25 de junho, às 19,30h, no Centro de Pastoral Pio XII, para dar continuidade ao trabalho das pastorais e organismos.
Participaram desta reunião 40 pessoas representando 15 comissões, equipes e organismos da Igreja de Campinas.
Comissão de Pastoral da Juventude.
Treinamento de Liderança Cristã (TLC)
Comissão das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
Legião de Maria
Comissão de Pastoral Operária
Comissão de Pastoral Universitária
Comissão Pastoral do Negro.
Equipe de Pastoral da Mulher Marginalizada
Comissão de Pastoral da Criança
Comissão Bíblico-Catequética
Caritas Arquidiocesana de Campinas
Conselho Nacional dos Leigos/as do Brasil (CNLB)
Comissão de Pastoral Vocacional
Pastoral Nipo-Brasileira
Equipe do Diálogo Ecumênico e Inter-religioso
domingo, 28 de junho de 2009
CENTRO DE PASTORAL PIO XII: 52 ANOS A SERVIÇO DA PASTORAL
1. Introdução: Finalidade de um centro de pastoral.
Um Centro de Pastoral, sobretudo se pensarmos os planos de pastoral orgânica, tem a missão de animar o serviço evangelizador em toda a Igreja Particular. É neste sentido que encontramos a importância do Centro de Pastoral Pio XII para a Igreja Particular de Campinas, como também para todo o subregional Campinas – Sul I da CNBB, incluindo as dioceses de Amparo, Limeira, Bragança Paulista, Piracicaba, São Carlos. Encontra-se num ponto estratégico e já acolheu e acolhe inúmeras reuniões e encontros para animar a evangelização nestas porções do Povo de Deus. Na verdade, bem antes de se falar de Pastoral Urbana, neste momento, retomada com muita insistência pela Conferência de Aparecida , podemos notar pela história do Centro de Pastoral Pio XII que ele já cumpria este papel muitos anos antes. Atualmente, ele continua cumprindo esta função, pois nele encontramos muitas pastorais que se articulam e desempenham um trabalho pensando a cidade como um todo e também a diocese como um todo. São pastorais e também movimentos que tem em seus serviços um olhar que ultrapassa as fronteiras das paróquias e, por isso mesmo, necessitam de um lugar central. Não podemos desprezar estas características do Centro de Pastoral Pio XII, pois além de ter desempenhado um papel fundamental para as grandes opções da Igreja de Campinas, ele continua sendo um centro de irradiação para animar a vida de nossas paróquias, comunidades eclesiais de base e movimentos.
2. O Centro de Pastoral Pio XII de 1958 a 1960.
“Encontramos problemas decisivos para a pastoral nos anos de 50 a 60, quando Campinas experimenta um crescimento demográfico acentuado, uma aumento da população urbana, oferta de trabalho não especializado e sua não absorção pelo quadro industrial em processo de instalação e crescimento. É a época do desenvolvimentismo que no governo de Juscelino Kubischeck contagia todo o país. Processo desencadeado pela entrada maciça de capital estrangeiro, favorecida pela política governamental. As cidades grandes e médias começam a ficar cheias. A população de Campinas sobre um aumento de 43,7% entre 50 e 60, passando de 152.547 para 219.903. Aumento devido à imigração em direção à sede do Município, mostrando o crescimento constante da cidade, que a partir de então se acelera” .
A Diocese, naquela ocasião (1950 e seguintes), estava loteando um terreno localizado à Rua Irmã Serafina, cujas laterais davam para a Rua Uruguaiana, Aquidabã e fundos para a Rua Boaventura do Amaral. D.Paulo de Tarso Campos fez questão de deixar o lota da Rua Irmã Serafina para a construção da Cúria e do Centro de Pastoral Pio XII. Este foi oficialmente inaugurado em 1957 (1956?), com a presença de D.Agnelo Rossi, recém nomeado bispo para Barra do Piraí.
O Projeto de D.Paulo de Tarso Campos tinha como objetivo reunir num só lugar todas as forças apostólicas da Diocese de Campinas, como já havia acontecido anteriormente, no “Palacete São Paulo”, situado à Rua Dr. Quirino, 957, na região central, imediações da Rua Ferreira Penteado.
Vejamos o que se dizia naquele momento: “D.Paulo de Tarso Campos, em boa hora, antevendo o futuro desenvolvimento da Ação Católica, organização em que deposita suas melhores esperanças, resolveu levantar imponente edifício que veio a ser a Sede definitiva da Ação Católica em Campinas. Ao lado da Nova Cúria Arquidiocesana, que se ergue na antiga Praça de Esportes do Colégio Diocesano, o Edifício Pio XII oferece a todas as Organizações e Setores da Ação Católica da Arquidiocese, amplas acomodações, salas, Capela, salão de atos, refeitório, campos, etc., e constitui-se em verdadeiro eixo do apostolado leigo de Campinas” .
O centro de Pastoral Pio XII foi do agrado geral devido a sua localização, perto dos terminais de ônibus, de fácil acesso dos leigos da periferia e de funcionalidade da construção. O Centro de Pastoral Pio XII é um centro vivo, irradiando para todo o Brasil a sua pastoral e reflexão teológica, pelos cursos que promove, pelos leigos e leigas, religiosos e religiosas, padres, seminaristas participantes. D.Paulo sempre dizia: “É o primeiro Centro construído pelas dioceses, quanto ao seu gênero”!
É a partir do Centro de Pastoral Pio XII que se irradia todos os trabalhos que impulsionaram a Igreja de Campinas neste período: animação missionária, renovação catequética, movimento bíblico, como também as primeiras iniciativas referentes ao engajamento dos cristãos e cristãs na busca da participação política cidadã: ação católica, sobretudo a partir da JOC, JEC e JUC.
O Centro de Pastoral Pio XII viu nascer e renascer vários movimentos diocesanos que se espalharam pelo Brasil e mesmo fora dele: TLC, Movimento de Casais (COF), Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), segmentos da Ação Católica, especialmente JAC e JOC, Legião de Maria, Ensino Religioso, Liturgia, Renovação Paroquial, Movimento por um Mundo Melhor, Encontros do Conselho de Presbíteros, Catequese, Secretariado das Religiosas, “A Tribuna”, Pastoral Vocacional.
O Centro de Pastoral Pio XII foi entregue à administração pastoral das Missionárias de Jesus Crucificado (, ao Pe. Narciso Ehrenberg (1º. Responsável pelo Centro de Pastoral), Pe. Lauro Sigrist e, posteriormente, recebeu vários outros padres que aí moravam ou trabalhavam: Pe. Celso Queirós (Coordenador da Pastoral), Pe.José Antonio Moraes Busch (Responsável pela CALMAS) Pe. Vivaldo Ifhanger (responsável pela JOC), Pe. Rolando (responsável pela Pastoral Familiar), Pe. Luís Roberto Benedetti (Pastoral das Vilas Planejadas), Pe. Benedito Pessoto (Responsável pelo Centro de Pastoral e Coordenador da Pastoral Arquidiocesana). A parte financeira ficava sob a incumbência da Cúria Diocesana.
Sempre o Centro de Pastoral Pio XII teve amplo apoio do bispo diocesano e de seus bispos auxiliares D. Miele e D. Antonio Alves de Siqueira. A organização foi acontecendo aos poucos e o Centro de Pastoral Pio XII foi mostrando o seu serviço e sua face acolhedora.
3. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 60.
“O crescimento exagerado da população urbana, seja o provocado pela entrada do capitalismo no campo, expulsando os pequenos proprietários, os colonos (a implantação da legislação trabalhista no campo), seja pela atração das indústrias que se instalam nas cidades, é um fato que atinge quase toda a Diocese. Assim Campinas, (...) em 1970 (dados do IBGE) tinha uma população de 375.364 habitantes (335.756 na zona urbana)” .
Já neste período se sentia a importância do Centro de Pastoral Pio XII: “Além disso, não nos esqueçamos que nossa Igreja celebra 100 anos. Tem, portanto, uma história e um acúmulo de experiências e de realizações. Neste sentido vamos revisitar brevemente nossos planos de Pastoral. Mas antes disso é bom lembrar que na década de 60 nossa Igreja fez uma experiência de renovação a partir do MMM que trazia já as sementes e sonhos do Concílio Vaticano II. O MMM preparou o terreno para o Concílio Vaticano II. Não só aqui no Brasil e nesta Igreja de Campinas, mas na Europa, na América Latina e outros lugares. Padres, Religiosos e Leigos, com entusiasmo, se dedicaram a este trabalho de Evangelização renovada (D. Paulo- Pe. Gaspar -Pe. Pessoto - Ir. Missionárias - Leigos(as)...) O centro de irradiação deste movimento em Campinas estava situado na Chácara São Joaquim em Valinhos, das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado (Cursos) e no Centro de Pastoral Pio XII (Planos de Ação)” .
É a partir do Centro de Pastoral Pio XII que se preparou a recepção do Vaticano II. Já havia um trabalho em relação à catequese, à liturgia e à Bíblia impulsionado por uma equipe de padres e religiosas que vivia no Centro de Pastoral Pio XII, numa convivência criativa. Percebia-se o valor da convivência e o próprio Centro de Pastoral possibilitava a participação dos visitantes que por Campinas passavam.
“Em 10 de fevereiro de 1963, no mesmo ano da abertura do Concílio Vaticano II foi ordenado bispo auxiliar de Campinas D. Bernardo José Miele, por cujas mãos recebemos o Concílio, através de cursos, encontros, palestras que ele mesmo fazia. Durante as sessões do Concílio, ele escrevia também suas cartas e notícias.É importante dizer que o Concílio foi recebido com entusiasmo e muita esperança em nossa Igreja. Ele veio também confirmar algumas iniciativas pastorais já em curso - Renovação Paroquial, dos Colégios Católicos, da Liturgia e da Vida Religiosa. Ação Católica...” .
Foi no Pio XII que se alicerçou e se ampliou a ação católica a partir da JOC,JEC e JUC. Com certeza, sem esta base não teríamos a possibilidade de pensar uma Igreja engajada na defesa dos trabalhadores/as.
4. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 70.
Em 1978, Campinas, segundo estimativas oficiais da época, contava com uma população de 594.364 habitantes, sendo 540.000 na área urbana. Nesse período, “surge o fenômeno que tanto preocupa nossa pastoral: a Periferia. A imensa população dos periféricos em tudo: habitação, saúde, religião, cultura... A cidade não tem condições físicas de absorver tal população. De seu lado, o trabalhador não tem qualificação profissional nenhuma e, é sempre um número superior às necessidades da indústria” .
“No início da década de 70 foram dados os primeiros passos para a realização de um Sínodo Diocesano, cujo objetivo seria: “Uma Igreja em Campinas, unida, consciente de sua missão concreta aqui e agora, que consiga ver seus caminhos históricos e percorrê-los. Foram contratados os serviços de um importante escritório de pesquisa e estudos sociais - Renov, para colher dados da Realidade. Já então havia a preocupação de conhecer o chão que pisamos. Conhecer o ponto de partida” .
Na década de 70, o Pio XII representou um papel de aglutinador das lutas populares, colaborando com sua estrutura central na organização do povo: Movimento contra a Carestia, Assembléia do Povo, Oposições Sindicais que buscavam tornar os sindicatos uma ferramenta na libertação da classe trabalhadora. Também no Centro de Pastoral Pio XII houve espaço para as primeiras articulações da política partidária, dando aos cristãos e cristãs a oportunidade de se prepararem para a participação política cidadã. Sem sua estrutura acolhedora das lutas do povo (lutas do movimento popular, lutas sindicais), não poderíamos compreender a elaboração dos Planos de Pastoral (I Plano de Pastoral – 1975-1976; II Plano de Pastoral – 1977-1979; III Plano de Pastoral – 1979-1982). Era no Centro de Pastoral Pio XII que se refletia a realidade da vida da Igreja de Campinas. O III Plano de Pastoral deixa entrever esta realidade a partir do objetivo comum, construído comunitariamente e de forma participativa: “Unir todas as forças evangelizadoras, humanas e materiais, da Igreja, em vista da organização do Povo, para sua libertação nos planos econômico, político, social e religioso, atualizando e concretizando a missão de Jesus Cristo” e das prioridades escolhidas: Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Pastoral do Mundo do Trabalho, Educação para a Justiça e Socialização dos Bens da Igreja, Apoio aos Movimentos Populares.
Com certeza, não podemos compreender toda a organização da Comissão Arquidiocesana das Vilas Planejadas e alguns bairros sem a presença do Pio XII. A importância do Conselho de Pastoral inter-Vilas, verdadeiro laboratório para a Pastoral Urbana, como também semente do proposta de Orçamento Participativo que se efetuou mais tarde a partir do compromisso político com a participação de inúmeros cristãos e cristãs saídos das comunidades de base.
Neste período, o Centro de Pastoral Pio XII continuava com a convivência de muitos padres, religiosas que animavam o trabalho de evangelização, sendo um lugar acolhedor para todos os que por aí passavam. É com este pano de fundo que podemos compreender a palavra de D.Gilberto por ocasião de sua carta pelo 70º. Aniversário da Diocese de Campinas: “Quando se trata da explicitação de metas comuns da Igreja de Campinas, é bem necessário que se tenha em conta esta realidade. É aí então que se torna conveniente um ponto de vista comum sobre a missão da Igreja. É a partir desta visão comum que estabelecemos nossa ação pastoral. Já se vê, pois, de um lado a importância de pensarmos em comum os problemas de Igreja e seu corolário pastoral. Vê-se, por outra parte, que não adiantam decretos episcopais, em matéria de pastoral. Se não existir uma convicção interior, não haverá mesmo condições psicológicas de se realizarem as disposições diocesanas, uma vez que não se consegue facilmente deixar que aquilo que constitui motivo de segurança pessoal e até às vezes, razão de existir” .
5. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 80.
A década dos 80 foi um dos períodos de maior mobilização e organização da classe trabalhadora: conquistas de muitos sindicatos (petroleiros, metalúrgicos, construção civil, sindicatos dos professores da rede particular, domésticas, sindicato dos condutores), formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Formação do Partido dos Trabalhadores (PT). Nos inícios da década de 80, tivemos a grande mobilização dos favelados com a decretação das áreas com o direito real do uso das terras onde se encontravam as favelas. Nas décadas anteriores, todas as reivindicações dos favelados eram tratadas como caso de polícia. Neste processo, os favelados ganham direito à cidadania, pelo menos no direito de morar e ter um endereço para receber a correspondência. Não há dúvida de que muitas destas organizações tiveram acolhida nas dependências do Centro de Pastoral Pio XII. Não poderíamos compreender a inserção dos cristãos e cristãs na luta de libertação dos pobres sem contar com este apoio. Não poderíamos compreender a Assembléia do Povo, como também a organização do Grito dos Excluídos sem a presença do Centro de Pastoral Pio XII.
No final da década de 80, iniciou-se a Revisão Ampla (1989-1991) que aponta para um novo horizonte para a Igreja de Campinas, sobretudo com as notas da Igreja que queremos ser:
“→ Uma Igreja Missionária
→ Uma Igreja participativa e co-responsável
→ Uma Igreja da Palavra e da Eucaristia
→ Uma Igreja pobre e solidária com os pobres
→ Uma Igreja toda ministerial
→ Uma Igreja de Comunidades de Base
→ Uma Igreja em diálogo com a Sociedade
→ Uma Igreja solidária com os povos Latino-americanos
→ Uma Igreja ecumênica, aberta ao diálogo
→ Uma Igreja de comunhão e respeitadora das diferenças
Ora, este projeto de Igreja que vimos construindo, desde o Concílio Vaticano II, reforçado pela RA, supõe da parte de todos os envolvidos uma atitude de conversão de um modelo de Igreja para outro; isto é de uma Igreja Clerical para uma Igreja de Comunhão e Participação:
DA fala de uma conversão pastoral (365s)
abandonar as estruturas ultrapassadas que não favorecem a transmissão da fé
discernir os sinais dos tempos
reformas pastorais e institucionais
superação de uma pastoral de mera conservação
Ganho significativo da R.A. de uma Igreja, Povo de Deus, participativa e co-responsável foi a constituição de uma Coord. Colegiada de Pastoral para: refletir, analisar e decidir em comunhão e co-responsabilidade com o Bispo sobre questões relacionadas com a Pastoral da Igreja Arquidiocesana de Campinas” (RA 144)” .
A Revisão Ampla da Igreja Arquidiocesana de Campinas se deu num momento em que a Conjuntura Eclesial mundial e a Conjuntura político-econômica pareciam estar contra avanços significativos. Refletir e tentar fazer uma constituição para a Igreja local, num contexto de neo-conservadorismo eclesial e com toda força do neoliberalismo possuia riscos muitos grandes. Entretanto parece que os resultados conseguidos mostram uma certa maturidade por parte da base eclesial e os documentos aprovados apontam para uma Igreja mais participativa, mais comprometida com a vida dos pobres, mais ministerial, mais aberta ao ecumenismo! É o que esperamos com firme confiança na ação do Espírito Santo, na etapa que estamos vivendo hoje na preparação do VII Plano de Pastoral Orgânica da Igreja de Campinas.
Em todo o transcorrer deste processo da Revisão Ampla, o Centro de Pastoral desempenhou um papel fundamental na acolhida de centenas de reuniões, debates. Como sempre foi um espaço aglutinador.
6. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 90.
Na década de 90, se perguntava: “Qual o papel da Igreja frente à modernidade? Como ser Igreja diante de uma realidade mundial (globalização) e com sua ação evangelizadora manter a defesa dos dos pobres?”
Com a entrada das novas tecnologias, na assim chamada 3ª revolução industrial, caracterizada, sobretudo, pela informatização da produção e das comunicações, notamos a valorização de alguns trabalhadores, pois esta lhes permite maior participação nas decisões da Empresa. Entretanto, com esta 3ª revolução houve um aumento do fosso entre nações ricas e pobres e descartou do mercado de trabalho a maioria do povo. Ao mesmo tempo que cria uma nova cultura, causa um novo analfabeto nos que não têm acesso a ela: “As novas tecnologias podem ser úteis se forem democratizadas; se aumentarem a capacitação técnica do trabalhador, se a educação formal e informal possibilitar seu uso amplo, se o trabalhador tiver acesso à cultura e a uma visão global da sociedade, para colocá-las a serviço do conjunto da nação”.
Diante da luta pelo valor da vida, dos direitos dos trabalhadores, dos desempregados, dos sem-terra, discutia-se a necessidade de se redefinir a modernidade. Afinal, o que é ser moderno? Seria simplesmente ter um Vídeo ou uma Televisão a cores? Ou ser moderno significa o direito de todos, do campo e da cidade, a terem as condições necessárias para viver vida digna, como: moradia, saneamento básico, saúde, educação, alimentação, transporte, lazer, o direito à informação e à participação (cidadania)? Em outras palavras, além da liberdade individual, a modernidade deve incluir a democracia social e a solução das necessidades básicas da nação. Sem isto a modernidade torna-se uma palavra ideológica ou mesmo mágica para encobrir o projeto neoliberal que vai criando nos diferentes países um aparthaid social entre ricos e pobres.
O papel do Centro de Pastoral Pio XII foi fundamental neste período para se discutir os rumos da nação neste momento crucial. A discussão sobre o neoliberalismo ganhou muita força nas discussões aí promovidas. É neste contexto que podemos compreender o V Plano de Pastoral Orgânica da Igreja de Campinas (1995-1998). Nota-se, neste plano, um dos desafios concretos: os excluídos. Fruto da dinâmica do neoliberalismo: “No Brasil, 50% da população vivem no mercado informal em situações de terrível precariedade. Manifesta-se aí a perversidade do sistema que não lhes dá acesso às mínimas oportunidades de progresso. Ao mesmo tempo, vê-se nestas multidões uma notável criatividade na luta pela sobrevivência, recriando formas alternativas de vida”.
A CNBB lançava um grito de alerta naquele momento: “Um ponto particular da ética social, que no atual contexto merece aprofundamento, é a crítica da Ideologia Liberal (ou neo-liberal) que, no fundo, apenas encobre sua incapacidade de subordinar a economia política e á ética , segundo as exigências da democracia e da justiça. No contexto do capitalismo liberal e do consumismo, a Igreja se vê desafiada a desmascarar a idolatria do dinheiro e de um estilo de vida baseado sobre a acumulação da riqueza e, às vezes, o exibicionismo e o desperdício, tão mais graves e escandalosos em face da fome e da miséria de milhões de brasileiros”.
7. O Centro de Pastoral Pio XII de 2000 a 2009.
Agora mais próximos em relação ao tempo cronológico, podemos sentir a importância do Centro de Pastoral: Quantas reuniões aí se realizam por semana? Quantas pessoas passam diariamente pelo Pio XII? Quantas atividades? E em um lugar apropriado, pois as pessoas podem chegar com muita facilidade. Lugar acolhedor (mas que já foi muito mais!) e que necessita de cuidados, pois está sendo descuidado em sua manutenção! Mas foi novamente a partir dos encontros, reuniões, debates que se forjou o VI Plano de Pastoral Orgânico da Igreja de Campinas. Novamente percebemos a importância de um centro de pastoral, pois como levar adiante a formação, a presença profética e o espírito e prática evangelizadora das CEBs? Como ser Igreja que enfrente os desafios do momento presente? A Conferência de Aparecida nos mostra os grandes desafios a serem enfrentados , como também as conseqüências de um sistema excludente . E nos indica as prioridades fundamentais a partir da opção pelos pobres, definida pelo papa Bento XVI, como opção cristológica, isto é, que está presente na profissão de fé cristã: Aparecida afirma que “a opção pelos pobres é uma das características que marca o rosto da Igreja latino-americana e caribenha” (Ap, 391). O Papa Bento XVI declara que a opção pelos pobres faz parte integrante do discipulado como seguimento de Jesus Cristo: “Nossa fé proclama que ‘Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do ser humano’. Por isso “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, enriquecendo-nos com sua pobreza. Esta opção nasce de nossa fé em Jesus Cristo, o Deus feito humano, que se fez nosso irmão “(cf Hb 2,11-12) . A partir da opção pelos pobres, Aparecida nos mostra as implicações desta opção:
• Leitura libertadora, popular e orante da Bíblia.
• Igreja fonte: papel protagônico das CEBs na construção do novo modelo eclesial.
• Igreja que mantém a memória dos/as mártires, que como Jesus deu a vida pelos irmãos e irmãs.
• Igreja que se abre ao diálogo ecumênico e inter-religioso.
• Igreja preocupada com os jovens.
• Igreja que assume a igual identidade entre homens e mulheres.
• Igreja solidária com os povos indígenas e afro-americanos.
• Igreja atenta na construção da Pátria Grande: Um Continente de justiça e paz.
• Uma Igreja que se engaja na defesa da natureza (Ecologia) em vista de uma Comunidade de Vida que respeita os seres humanos, os animais, as plantas, as águas.
Diante do histórico do Centro de Pastoral Pio XII e diante de tantos desafios, nos perguntamos: é proveitoso se fazer uma mudança para um outro lugar? É respeitadora da realidade dos pobres? Em que vai ajudar o serviço da evangelização? Por que voltar atrás na inserção de uma Igreja que quer estar no meio dos pobres? O que foi feito do Palácio do Bispo na Nova Campinas? Será que voltaremos à época antes do Concílio Vaticano II, buscando uma realidade distante da vida dos trabalhadores e trabalhadoras?
Este texto busca suscitar a reflexão entre os cristãos e cristãs da nossa Igreja de Campinas, como também de todos aqueles e aquelas que vêem no Centro de Pastoral Pio XII um espaço de liberdade, de organização e mobilização pelas causas dos direitos humanos, pela causa da justiça. Está aberto a novas contribuições e sugestões.
Campinas, 03 de junho de 2009.
Comissão de Pastoral da Juventude.
Treinamento de Liderança Cristã (TLC)
Comissão das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
Legião de Maria
Comissão de Pastoral Operária
Comissão de Pastoral Universitária
Comissão Pastoral do Negro.
Equipe de Pastoral da Mulher Marginalizada
Comissão de Pastoral da Criança
Comissão Bíblico-Catequética
Caritas Arquidiocesana de Campinas
Conselho Nacional dos Leigos/as do Brasil (CNLB)
Comissão de Pastoral Vocacional
Pastoral Nipo-Brasileira
Equipe do Diálogo Ecumênico e Inter-religioso
Anexo 1
Sonho Ameaçado
Sonhei que estava em um lugar maravilhoso
aonde pessoas vinham e iam, com intensa alegria e liberdade
tinha ricos, pobres, jovens, crianças, trabalhadores/as...
lugar este onde alguns às vezes divergiam,
mas logo se entendiam e em comum viviam,
a mística e a historia, ali existia e com a presença do povo persistia.
Ali nasceram planos pastorais, deu-se os primeiros passos para um grande Congresso Eucarístico presente em nossa memória até hoje, idéias das primeiras vilas planejadas foram ali ruminadas e fortaleceram uma sociedade justa e igualitária,
contribuindo em muito para o crescimento de uma cidade, agora metrópole.
Pastorais, organismos e movimentos ali existem e vivem,
E contribuem para que o projeto de Deus aconteça,
na caminhada de um povo Deus inspirado e animado por um Concilio Vaticano II, que por sinal é rosto deste Centro Pastoral, retrato da Igreja Viva de Campinas,monumento histórico já enraizado e tombado em nossos corações.
Rogo aos pastores dessa Igreja, não destruam essas conquistas,
pois essa historia é bonita, é bonita, é bonita....
(Este poema foi escrito para se refletir no papel e na missão do Centro de Pastoral Pio XII. É uma forma poética de se pensar o seu papel e missão!).
Anexo 2
Mapa de Pobreza e Desigualdade - Municípios Brasileiros 2003
Campinas:
População
1.039.297
Incidência da pobreza 9,83 = 102.162
Índice de Gini 0,42
Elias Fausto 14.521
Incidência da pobreza 31,86 = 4.626
Índice de Gini 0,39
Hortolândia
190.781
Incidência da pobreza 24,01 = 45.806
Índice de Gini 0,37
Indaiatuba
173.508
Incidência da pobreza 15,46 = 26.824
Índice de Gini 0,40
Monte Mor
42.824
Incidência da pobreza 25,41 = 10.881
Índice de Gini 0,40
Paulínia
73.014
Incidência da pobreza 14,76 = 10.776
Índice Gini 0,39
Sumaré
228.696
Incidência da pobreza 22,61 = 51.708
Índice Gini 0,38
Valinhos
97.814
Incidência da pobreza 10,18 = 9.957
Índice Gini 0,40
Vinhedo
57.435
Incidência da pobreza 10,87 = 6.243
Índice Gini 0,40
População Total 1.917.890
Incidência da pobreza 13,45 = 258.102
Um Centro de Pastoral, sobretudo se pensarmos os planos de pastoral orgânica, tem a missão de animar o serviço evangelizador em toda a Igreja Particular. É neste sentido que encontramos a importância do Centro de Pastoral Pio XII para a Igreja Particular de Campinas, como também para todo o subregional Campinas – Sul I da CNBB, incluindo as dioceses de Amparo, Limeira, Bragança Paulista, Piracicaba, São Carlos. Encontra-se num ponto estratégico e já acolheu e acolhe inúmeras reuniões e encontros para animar a evangelização nestas porções do Povo de Deus. Na verdade, bem antes de se falar de Pastoral Urbana, neste momento, retomada com muita insistência pela Conferência de Aparecida , podemos notar pela história do Centro de Pastoral Pio XII que ele já cumpria este papel muitos anos antes. Atualmente, ele continua cumprindo esta função, pois nele encontramos muitas pastorais que se articulam e desempenham um trabalho pensando a cidade como um todo e também a diocese como um todo. São pastorais e também movimentos que tem em seus serviços um olhar que ultrapassa as fronteiras das paróquias e, por isso mesmo, necessitam de um lugar central. Não podemos desprezar estas características do Centro de Pastoral Pio XII, pois além de ter desempenhado um papel fundamental para as grandes opções da Igreja de Campinas, ele continua sendo um centro de irradiação para animar a vida de nossas paróquias, comunidades eclesiais de base e movimentos.
2. O Centro de Pastoral Pio XII de 1958 a 1960.
“Encontramos problemas decisivos para a pastoral nos anos de 50 a 60, quando Campinas experimenta um crescimento demográfico acentuado, uma aumento da população urbana, oferta de trabalho não especializado e sua não absorção pelo quadro industrial em processo de instalação e crescimento. É a época do desenvolvimentismo que no governo de Juscelino Kubischeck contagia todo o país. Processo desencadeado pela entrada maciça de capital estrangeiro, favorecida pela política governamental. As cidades grandes e médias começam a ficar cheias. A população de Campinas sobre um aumento de 43,7% entre 50 e 60, passando de 152.547 para 219.903. Aumento devido à imigração em direção à sede do Município, mostrando o crescimento constante da cidade, que a partir de então se acelera” .
A Diocese, naquela ocasião (1950 e seguintes), estava loteando um terreno localizado à Rua Irmã Serafina, cujas laterais davam para a Rua Uruguaiana, Aquidabã e fundos para a Rua Boaventura do Amaral. D.Paulo de Tarso Campos fez questão de deixar o lota da Rua Irmã Serafina para a construção da Cúria e do Centro de Pastoral Pio XII. Este foi oficialmente inaugurado em 1957 (1956?), com a presença de D.Agnelo Rossi, recém nomeado bispo para Barra do Piraí.
O Projeto de D.Paulo de Tarso Campos tinha como objetivo reunir num só lugar todas as forças apostólicas da Diocese de Campinas, como já havia acontecido anteriormente, no “Palacete São Paulo”, situado à Rua Dr. Quirino, 957, na região central, imediações da Rua Ferreira Penteado.
Vejamos o que se dizia naquele momento: “D.Paulo de Tarso Campos, em boa hora, antevendo o futuro desenvolvimento da Ação Católica, organização em que deposita suas melhores esperanças, resolveu levantar imponente edifício que veio a ser a Sede definitiva da Ação Católica em Campinas. Ao lado da Nova Cúria Arquidiocesana, que se ergue na antiga Praça de Esportes do Colégio Diocesano, o Edifício Pio XII oferece a todas as Organizações e Setores da Ação Católica da Arquidiocese, amplas acomodações, salas, Capela, salão de atos, refeitório, campos, etc., e constitui-se em verdadeiro eixo do apostolado leigo de Campinas” .
O centro de Pastoral Pio XII foi do agrado geral devido a sua localização, perto dos terminais de ônibus, de fácil acesso dos leigos da periferia e de funcionalidade da construção. O Centro de Pastoral Pio XII é um centro vivo, irradiando para todo o Brasil a sua pastoral e reflexão teológica, pelos cursos que promove, pelos leigos e leigas, religiosos e religiosas, padres, seminaristas participantes. D.Paulo sempre dizia: “É o primeiro Centro construído pelas dioceses, quanto ao seu gênero”!
É a partir do Centro de Pastoral Pio XII que se irradia todos os trabalhos que impulsionaram a Igreja de Campinas neste período: animação missionária, renovação catequética, movimento bíblico, como também as primeiras iniciativas referentes ao engajamento dos cristãos e cristãs na busca da participação política cidadã: ação católica, sobretudo a partir da JOC, JEC e JUC.
O Centro de Pastoral Pio XII viu nascer e renascer vários movimentos diocesanos que se espalharam pelo Brasil e mesmo fora dele: TLC, Movimento de Casais (COF), Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), segmentos da Ação Católica, especialmente JAC e JOC, Legião de Maria, Ensino Religioso, Liturgia, Renovação Paroquial, Movimento por um Mundo Melhor, Encontros do Conselho de Presbíteros, Catequese, Secretariado das Religiosas, “A Tribuna”, Pastoral Vocacional.
O Centro de Pastoral Pio XII foi entregue à administração pastoral das Missionárias de Jesus Crucificado (, ao Pe. Narciso Ehrenberg (1º. Responsável pelo Centro de Pastoral), Pe. Lauro Sigrist e, posteriormente, recebeu vários outros padres que aí moravam ou trabalhavam: Pe. Celso Queirós (Coordenador da Pastoral), Pe.José Antonio Moraes Busch (Responsável pela CALMAS) Pe. Vivaldo Ifhanger (responsável pela JOC), Pe. Rolando (responsável pela Pastoral Familiar), Pe. Luís Roberto Benedetti (Pastoral das Vilas Planejadas), Pe. Benedito Pessoto (Responsável pelo Centro de Pastoral e Coordenador da Pastoral Arquidiocesana). A parte financeira ficava sob a incumbência da Cúria Diocesana.
Sempre o Centro de Pastoral Pio XII teve amplo apoio do bispo diocesano e de seus bispos auxiliares D. Miele e D. Antonio Alves de Siqueira. A organização foi acontecendo aos poucos e o Centro de Pastoral Pio XII foi mostrando o seu serviço e sua face acolhedora.
3. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 60.
“O crescimento exagerado da população urbana, seja o provocado pela entrada do capitalismo no campo, expulsando os pequenos proprietários, os colonos (a implantação da legislação trabalhista no campo), seja pela atração das indústrias que se instalam nas cidades, é um fato que atinge quase toda a Diocese. Assim Campinas, (...) em 1970 (dados do IBGE) tinha uma população de 375.364 habitantes (335.756 na zona urbana)” .
Já neste período se sentia a importância do Centro de Pastoral Pio XII: “Além disso, não nos esqueçamos que nossa Igreja celebra 100 anos. Tem, portanto, uma história e um acúmulo de experiências e de realizações. Neste sentido vamos revisitar brevemente nossos planos de Pastoral. Mas antes disso é bom lembrar que na década de 60 nossa Igreja fez uma experiência de renovação a partir do MMM que trazia já as sementes e sonhos do Concílio Vaticano II. O MMM preparou o terreno para o Concílio Vaticano II. Não só aqui no Brasil e nesta Igreja de Campinas, mas na Europa, na América Latina e outros lugares. Padres, Religiosos e Leigos, com entusiasmo, se dedicaram a este trabalho de Evangelização renovada (D. Paulo- Pe. Gaspar -Pe. Pessoto - Ir. Missionárias - Leigos(as)...) O centro de irradiação deste movimento em Campinas estava situado na Chácara São Joaquim em Valinhos, das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado (Cursos) e no Centro de Pastoral Pio XII (Planos de Ação)” .
É a partir do Centro de Pastoral Pio XII que se preparou a recepção do Vaticano II. Já havia um trabalho em relação à catequese, à liturgia e à Bíblia impulsionado por uma equipe de padres e religiosas que vivia no Centro de Pastoral Pio XII, numa convivência criativa. Percebia-se o valor da convivência e o próprio Centro de Pastoral possibilitava a participação dos visitantes que por Campinas passavam.
“Em 10 de fevereiro de 1963, no mesmo ano da abertura do Concílio Vaticano II foi ordenado bispo auxiliar de Campinas D. Bernardo José Miele, por cujas mãos recebemos o Concílio, através de cursos, encontros, palestras que ele mesmo fazia. Durante as sessões do Concílio, ele escrevia também suas cartas e notícias.É importante dizer que o Concílio foi recebido com entusiasmo e muita esperança em nossa Igreja. Ele veio também confirmar algumas iniciativas pastorais já em curso - Renovação Paroquial, dos Colégios Católicos, da Liturgia e da Vida Religiosa. Ação Católica...” .
Foi no Pio XII que se alicerçou e se ampliou a ação católica a partir da JOC,JEC e JUC. Com certeza, sem esta base não teríamos a possibilidade de pensar uma Igreja engajada na defesa dos trabalhadores/as.
4. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 70.
Em 1978, Campinas, segundo estimativas oficiais da época, contava com uma população de 594.364 habitantes, sendo 540.000 na área urbana. Nesse período, “surge o fenômeno que tanto preocupa nossa pastoral: a Periferia. A imensa população dos periféricos em tudo: habitação, saúde, religião, cultura... A cidade não tem condições físicas de absorver tal população. De seu lado, o trabalhador não tem qualificação profissional nenhuma e, é sempre um número superior às necessidades da indústria” .
“No início da década de 70 foram dados os primeiros passos para a realização de um Sínodo Diocesano, cujo objetivo seria: “Uma Igreja em Campinas, unida, consciente de sua missão concreta aqui e agora, que consiga ver seus caminhos históricos e percorrê-los. Foram contratados os serviços de um importante escritório de pesquisa e estudos sociais - Renov, para colher dados da Realidade. Já então havia a preocupação de conhecer o chão que pisamos. Conhecer o ponto de partida” .
Na década de 70, o Pio XII representou um papel de aglutinador das lutas populares, colaborando com sua estrutura central na organização do povo: Movimento contra a Carestia, Assembléia do Povo, Oposições Sindicais que buscavam tornar os sindicatos uma ferramenta na libertação da classe trabalhadora. Também no Centro de Pastoral Pio XII houve espaço para as primeiras articulações da política partidária, dando aos cristãos e cristãs a oportunidade de se prepararem para a participação política cidadã. Sem sua estrutura acolhedora das lutas do povo (lutas do movimento popular, lutas sindicais), não poderíamos compreender a elaboração dos Planos de Pastoral (I Plano de Pastoral – 1975-1976; II Plano de Pastoral – 1977-1979; III Plano de Pastoral – 1979-1982). Era no Centro de Pastoral Pio XII que se refletia a realidade da vida da Igreja de Campinas. O III Plano de Pastoral deixa entrever esta realidade a partir do objetivo comum, construído comunitariamente e de forma participativa: “Unir todas as forças evangelizadoras, humanas e materiais, da Igreja, em vista da organização do Povo, para sua libertação nos planos econômico, político, social e religioso, atualizando e concretizando a missão de Jesus Cristo” e das prioridades escolhidas: Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Pastoral do Mundo do Trabalho, Educação para a Justiça e Socialização dos Bens da Igreja, Apoio aos Movimentos Populares.
Com certeza, não podemos compreender toda a organização da Comissão Arquidiocesana das Vilas Planejadas e alguns bairros sem a presença do Pio XII. A importância do Conselho de Pastoral inter-Vilas, verdadeiro laboratório para a Pastoral Urbana, como também semente do proposta de Orçamento Participativo que se efetuou mais tarde a partir do compromisso político com a participação de inúmeros cristãos e cristãs saídos das comunidades de base.
Neste período, o Centro de Pastoral Pio XII continuava com a convivência de muitos padres, religiosas que animavam o trabalho de evangelização, sendo um lugar acolhedor para todos os que por aí passavam. É com este pano de fundo que podemos compreender a palavra de D.Gilberto por ocasião de sua carta pelo 70º. Aniversário da Diocese de Campinas: “Quando se trata da explicitação de metas comuns da Igreja de Campinas, é bem necessário que se tenha em conta esta realidade. É aí então que se torna conveniente um ponto de vista comum sobre a missão da Igreja. É a partir desta visão comum que estabelecemos nossa ação pastoral. Já se vê, pois, de um lado a importância de pensarmos em comum os problemas de Igreja e seu corolário pastoral. Vê-se, por outra parte, que não adiantam decretos episcopais, em matéria de pastoral. Se não existir uma convicção interior, não haverá mesmo condições psicológicas de se realizarem as disposições diocesanas, uma vez que não se consegue facilmente deixar que aquilo que constitui motivo de segurança pessoal e até às vezes, razão de existir” .
5. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 80.
A década dos 80 foi um dos períodos de maior mobilização e organização da classe trabalhadora: conquistas de muitos sindicatos (petroleiros, metalúrgicos, construção civil, sindicatos dos professores da rede particular, domésticas, sindicato dos condutores), formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Formação do Partido dos Trabalhadores (PT). Nos inícios da década de 80, tivemos a grande mobilização dos favelados com a decretação das áreas com o direito real do uso das terras onde se encontravam as favelas. Nas décadas anteriores, todas as reivindicações dos favelados eram tratadas como caso de polícia. Neste processo, os favelados ganham direito à cidadania, pelo menos no direito de morar e ter um endereço para receber a correspondência. Não há dúvida de que muitas destas organizações tiveram acolhida nas dependências do Centro de Pastoral Pio XII. Não poderíamos compreender a inserção dos cristãos e cristãs na luta de libertação dos pobres sem contar com este apoio. Não poderíamos compreender a Assembléia do Povo, como também a organização do Grito dos Excluídos sem a presença do Centro de Pastoral Pio XII.
No final da década de 80, iniciou-se a Revisão Ampla (1989-1991) que aponta para um novo horizonte para a Igreja de Campinas, sobretudo com as notas da Igreja que queremos ser:
“→ Uma Igreja Missionária
→ Uma Igreja participativa e co-responsável
→ Uma Igreja da Palavra e da Eucaristia
→ Uma Igreja pobre e solidária com os pobres
→ Uma Igreja toda ministerial
→ Uma Igreja de Comunidades de Base
→ Uma Igreja em diálogo com a Sociedade
→ Uma Igreja solidária com os povos Latino-americanos
→ Uma Igreja ecumênica, aberta ao diálogo
→ Uma Igreja de comunhão e respeitadora das diferenças
Ora, este projeto de Igreja que vimos construindo, desde o Concílio Vaticano II, reforçado pela RA, supõe da parte de todos os envolvidos uma atitude de conversão de um modelo de Igreja para outro; isto é de uma Igreja Clerical para uma Igreja de Comunhão e Participação:
DA fala de uma conversão pastoral (365s)
abandonar as estruturas ultrapassadas que não favorecem a transmissão da fé
discernir os sinais dos tempos
reformas pastorais e institucionais
superação de uma pastoral de mera conservação
Ganho significativo da R.A. de uma Igreja, Povo de Deus, participativa e co-responsável foi a constituição de uma Coord. Colegiada de Pastoral para: refletir, analisar e decidir em comunhão e co-responsabilidade com o Bispo sobre questões relacionadas com a Pastoral da Igreja Arquidiocesana de Campinas” (RA 144)” .
A Revisão Ampla da Igreja Arquidiocesana de Campinas se deu num momento em que a Conjuntura Eclesial mundial e a Conjuntura político-econômica pareciam estar contra avanços significativos. Refletir e tentar fazer uma constituição para a Igreja local, num contexto de neo-conservadorismo eclesial e com toda força do neoliberalismo possuia riscos muitos grandes. Entretanto parece que os resultados conseguidos mostram uma certa maturidade por parte da base eclesial e os documentos aprovados apontam para uma Igreja mais participativa, mais comprometida com a vida dos pobres, mais ministerial, mais aberta ao ecumenismo! É o que esperamos com firme confiança na ação do Espírito Santo, na etapa que estamos vivendo hoje na preparação do VII Plano de Pastoral Orgânica da Igreja de Campinas.
Em todo o transcorrer deste processo da Revisão Ampla, o Centro de Pastoral desempenhou um papel fundamental na acolhida de centenas de reuniões, debates. Como sempre foi um espaço aglutinador.
6. O Centro de Pastoral Pio XII na década de 90.
Na década de 90, se perguntava: “Qual o papel da Igreja frente à modernidade? Como ser Igreja diante de uma realidade mundial (globalização) e com sua ação evangelizadora manter a defesa dos dos pobres?”
Com a entrada das novas tecnologias, na assim chamada 3ª revolução industrial, caracterizada, sobretudo, pela informatização da produção e das comunicações, notamos a valorização de alguns trabalhadores, pois esta lhes permite maior participação nas decisões da Empresa. Entretanto, com esta 3ª revolução houve um aumento do fosso entre nações ricas e pobres e descartou do mercado de trabalho a maioria do povo. Ao mesmo tempo que cria uma nova cultura, causa um novo analfabeto nos que não têm acesso a ela: “As novas tecnologias podem ser úteis se forem democratizadas; se aumentarem a capacitação técnica do trabalhador, se a educação formal e informal possibilitar seu uso amplo, se o trabalhador tiver acesso à cultura e a uma visão global da sociedade, para colocá-las a serviço do conjunto da nação”.
Diante da luta pelo valor da vida, dos direitos dos trabalhadores, dos desempregados, dos sem-terra, discutia-se a necessidade de se redefinir a modernidade. Afinal, o que é ser moderno? Seria simplesmente ter um Vídeo ou uma Televisão a cores? Ou ser moderno significa o direito de todos, do campo e da cidade, a terem as condições necessárias para viver vida digna, como: moradia, saneamento básico, saúde, educação, alimentação, transporte, lazer, o direito à informação e à participação (cidadania)? Em outras palavras, além da liberdade individual, a modernidade deve incluir a democracia social e a solução das necessidades básicas da nação. Sem isto a modernidade torna-se uma palavra ideológica ou mesmo mágica para encobrir o projeto neoliberal que vai criando nos diferentes países um aparthaid social entre ricos e pobres.
O papel do Centro de Pastoral Pio XII foi fundamental neste período para se discutir os rumos da nação neste momento crucial. A discussão sobre o neoliberalismo ganhou muita força nas discussões aí promovidas. É neste contexto que podemos compreender o V Plano de Pastoral Orgânica da Igreja de Campinas (1995-1998). Nota-se, neste plano, um dos desafios concretos: os excluídos. Fruto da dinâmica do neoliberalismo: “No Brasil, 50% da população vivem no mercado informal em situações de terrível precariedade. Manifesta-se aí a perversidade do sistema que não lhes dá acesso às mínimas oportunidades de progresso. Ao mesmo tempo, vê-se nestas multidões uma notável criatividade na luta pela sobrevivência, recriando formas alternativas de vida”.
A CNBB lançava um grito de alerta naquele momento: “Um ponto particular da ética social, que no atual contexto merece aprofundamento, é a crítica da Ideologia Liberal (ou neo-liberal) que, no fundo, apenas encobre sua incapacidade de subordinar a economia política e á ética , segundo as exigências da democracia e da justiça. No contexto do capitalismo liberal e do consumismo, a Igreja se vê desafiada a desmascarar a idolatria do dinheiro e de um estilo de vida baseado sobre a acumulação da riqueza e, às vezes, o exibicionismo e o desperdício, tão mais graves e escandalosos em face da fome e da miséria de milhões de brasileiros”.
7. O Centro de Pastoral Pio XII de 2000 a 2009.
Agora mais próximos em relação ao tempo cronológico, podemos sentir a importância do Centro de Pastoral: Quantas reuniões aí se realizam por semana? Quantas pessoas passam diariamente pelo Pio XII? Quantas atividades? E em um lugar apropriado, pois as pessoas podem chegar com muita facilidade. Lugar acolhedor (mas que já foi muito mais!) e que necessita de cuidados, pois está sendo descuidado em sua manutenção! Mas foi novamente a partir dos encontros, reuniões, debates que se forjou o VI Plano de Pastoral Orgânico da Igreja de Campinas. Novamente percebemos a importância de um centro de pastoral, pois como levar adiante a formação, a presença profética e o espírito e prática evangelizadora das CEBs? Como ser Igreja que enfrente os desafios do momento presente? A Conferência de Aparecida nos mostra os grandes desafios a serem enfrentados , como também as conseqüências de um sistema excludente . E nos indica as prioridades fundamentais a partir da opção pelos pobres, definida pelo papa Bento XVI, como opção cristológica, isto é, que está presente na profissão de fé cristã: Aparecida afirma que “a opção pelos pobres é uma das características que marca o rosto da Igreja latino-americana e caribenha” (Ap, 391). O Papa Bento XVI declara que a opção pelos pobres faz parte integrante do discipulado como seguimento de Jesus Cristo: “Nossa fé proclama que ‘Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do ser humano’. Por isso “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, enriquecendo-nos com sua pobreza. Esta opção nasce de nossa fé em Jesus Cristo, o Deus feito humano, que se fez nosso irmão “(cf Hb 2,11-12) . A partir da opção pelos pobres, Aparecida nos mostra as implicações desta opção:
• Leitura libertadora, popular e orante da Bíblia.
• Igreja fonte: papel protagônico das CEBs na construção do novo modelo eclesial.
• Igreja que mantém a memória dos/as mártires, que como Jesus deu a vida pelos irmãos e irmãs.
• Igreja que se abre ao diálogo ecumênico e inter-religioso.
• Igreja preocupada com os jovens.
• Igreja que assume a igual identidade entre homens e mulheres.
• Igreja solidária com os povos indígenas e afro-americanos.
• Igreja atenta na construção da Pátria Grande: Um Continente de justiça e paz.
• Uma Igreja que se engaja na defesa da natureza (Ecologia) em vista de uma Comunidade de Vida que respeita os seres humanos, os animais, as plantas, as águas.
Diante do histórico do Centro de Pastoral Pio XII e diante de tantos desafios, nos perguntamos: é proveitoso se fazer uma mudança para um outro lugar? É respeitadora da realidade dos pobres? Em que vai ajudar o serviço da evangelização? Por que voltar atrás na inserção de uma Igreja que quer estar no meio dos pobres? O que foi feito do Palácio do Bispo na Nova Campinas? Será que voltaremos à época antes do Concílio Vaticano II, buscando uma realidade distante da vida dos trabalhadores e trabalhadoras?
Este texto busca suscitar a reflexão entre os cristãos e cristãs da nossa Igreja de Campinas, como também de todos aqueles e aquelas que vêem no Centro de Pastoral Pio XII um espaço de liberdade, de organização e mobilização pelas causas dos direitos humanos, pela causa da justiça. Está aberto a novas contribuições e sugestões.
Campinas, 03 de junho de 2009.
Comissão de Pastoral da Juventude.
Treinamento de Liderança Cristã (TLC)
Comissão das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
Legião de Maria
Comissão de Pastoral Operária
Comissão de Pastoral Universitária
Comissão Pastoral do Negro.
Equipe de Pastoral da Mulher Marginalizada
Comissão de Pastoral da Criança
Comissão Bíblico-Catequética
Caritas Arquidiocesana de Campinas
Conselho Nacional dos Leigos/as do Brasil (CNLB)
Comissão de Pastoral Vocacional
Pastoral Nipo-Brasileira
Equipe do Diálogo Ecumênico e Inter-religioso
Anexo 1
Sonho Ameaçado
Sonhei que estava em um lugar maravilhoso
aonde pessoas vinham e iam, com intensa alegria e liberdade
tinha ricos, pobres, jovens, crianças, trabalhadores/as...
lugar este onde alguns às vezes divergiam,
mas logo se entendiam e em comum viviam,
a mística e a historia, ali existia e com a presença do povo persistia.
Ali nasceram planos pastorais, deu-se os primeiros passos para um grande Congresso Eucarístico presente em nossa memória até hoje, idéias das primeiras vilas planejadas foram ali ruminadas e fortaleceram uma sociedade justa e igualitária,
contribuindo em muito para o crescimento de uma cidade, agora metrópole.
Pastorais, organismos e movimentos ali existem e vivem,
E contribuem para que o projeto de Deus aconteça,
na caminhada de um povo Deus inspirado e animado por um Concilio Vaticano II, que por sinal é rosto deste Centro Pastoral, retrato da Igreja Viva de Campinas,monumento histórico já enraizado e tombado em nossos corações.
Rogo aos pastores dessa Igreja, não destruam essas conquistas,
pois essa historia é bonita, é bonita, é bonita....
(Este poema foi escrito para se refletir no papel e na missão do Centro de Pastoral Pio XII. É uma forma poética de se pensar o seu papel e missão!).
Anexo 2
Mapa de Pobreza e Desigualdade - Municípios Brasileiros 2003
Campinas:
População
1.039.297
Incidência da pobreza 9,83 = 102.162
Índice de Gini 0,42
Elias Fausto 14.521
Incidência da pobreza 31,86 = 4.626
Índice de Gini 0,39
Hortolândia
190.781
Incidência da pobreza 24,01 = 45.806
Índice de Gini 0,37
Indaiatuba
173.508
Incidência da pobreza 15,46 = 26.824
Índice de Gini 0,40
Monte Mor
42.824
Incidência da pobreza 25,41 = 10.881
Índice de Gini 0,40
Paulínia
73.014
Incidência da pobreza 14,76 = 10.776
Índice Gini 0,39
Sumaré
228.696
Incidência da pobreza 22,61 = 51.708
Índice Gini 0,38
Valinhos
97.814
Incidência da pobreza 10,18 = 9.957
Índice Gini 0,40
Vinhedo
57.435
Incidência da pobreza 10,87 = 6.243
Índice Gini 0,40
População Total 1.917.890
Incidência da pobreza 13,45 = 258.102
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